
Texto e fotos de Leo Drumond
Fotografar uma das romarias de Juazeiro do Norte, terra de Padre Cícero, sempre foi um desejo antigo. A energia gerada por tantas pessoas em uma fé coletiva atrai o olhar dos fotógrafos desde sempre e no Brasil não faltam mestres nessa arte. Porém, parte do romantismo desses eventos está acabando. As pessoas em trajes “sertanejos”, se fartando de comidas “típicas” e comprando “artesanato” local estão desaparecendo. O traje virou malha, a comida virou batata frita e o artesanato é made in china. Isso me entristece não porque ache que tudo tenha que congelar no tempo, mas sim porque esteticamente estamos andando pra trás e as características regionais estão dando lugar a um padrão “global” de roupas, acessórios e hábitos.
Há tempos estamos discutindo na Nitro essa questão das tradições estarem dando lugar a hábitos massificadas. Sem dúvida é um tema forte para um trabalho fotográfico. O grande problema, que senti agora, é que são temas tão estranhos que fica difícil apontar a câmera para eles. Nesse ensaio eu comecei com esse olhar, mas não agüentei e fui logo buscar o poder da romaria, que mesmo nesse universo de quinquilharias ainda se mostra poderosa e maravilhosa. E também mostra que a força que emana dessa região incrível que é o Vale do Cariri resiste bravamente ao advento dos tempos. O espírito do Padim ainda ecoa soberano nessa terras. E com ele a resistência do sertanejo se mantém. Mas até quando?
Belas fotos, mas eu estou querendo comentar os texto. Em Minas Gerais, estado de muitas tradições e muitas crenças antigas, em cada canto há uma tradição sendo destruída, em todo canto há uma festa religiosa sendo abafada pela “cultura” moderna. Cultura globalizada e acentuada pela falta de educação generalizada. O carro supersonorizado tocando funk obsceno toma conta de todas as festas tradicionais, impedindo a audição das missas, dos cantos dos corais e das bandinhas. Não bastasse as roupas globalizadas, o artesanato nas feirinhas está sendo abandonado em troca das quinquilharias chinesas. Um coisa que não é copiada aqui é o respeito que o povo chines tem pelas suas tradições milenares. O fotógrafo faz muito bem em protestar.